Chupeta: aliada ou inimiga?

Chupeta: aliada ou inimiga?

Toda a mãe tem dúvidas quanto a dar ou não dar a chupeta para a sua criancinha que acabou de nascer.

Na verdade ela é uma grande ajuda para os momentos críticos, mas pode ser o primeiro vício da sua criança.

Vamos entender como essa chupeta pode ser uma aliada ou uma inimiga...

Usualmente a chupeta entra na vida de um bebê recém-nascido para acalmá-lo, pois a mãe não sabe o que fazer quando ouve choro nessa fase de adaptação. Isso é totalmente compreensível e então o uso deve ser restrito nessas situações tensas de dor ou de dificuldades de adormecer: ela vai atuar como um milagroso calmante. Algumas crianças têm mais necessidade de sucção do que outras, e sugar a chupeta evitará que elas solicitem o seio materno o dia inteiro. Há estudos que mostram que se for introduzida após um mês de vida, ela não atrapalhará a amamentação.

Quando as crianças estão um pouquinho maiores, a chupeta poderá auxiliar em situações específicas como mudança de ambiente e fase de adaptação da escola ou creche, mas o uso deve ser restrito  àquele momento.

O seu uso excessivo poderá prejudicar a articulação da fala, a respiração e o desenvolvimento da boca e também estimulará a produção de saliva dando à criança a sensação de saciedade podendo diminuir seu apetite.

Ela poderá impedir a emissão correta dos sons da fala nas fases de aquisição e causará problemas no crescimento das arcadas dentárias, deformando-as e exigindo no futuro a intervenção do ortodontista.

Há evidências de que há uma maior incidência de infecções em geral para crianças que usam chupeta indiscriminadamente por muitos anos.

Como dissemos, a chupeta é um grande tranquilizante e por isso é introduzida na vida dos bebês, porém todos os “benefícios” que elas trazem podem muito bem ser obtidos com atenção, carinho e amamentação no seio materno. A mãe deveria permitir que a criança sugasse o seio por tempo suficiente até que ela ficasse totalmente saciada, para isso teria que ter ambiente calmo e disponibilidade, nem sempre possível nos dias de hoje, infelizmente.

A função da sucção é importantíssima, pois garantirá a alimentação normal do bebê e o desenvolvimento da boca. As crianças já nascem com os chamados Movimentos Primários de Língua (Castillo Morales) que devem desaparecer com o desenvolvimento do sistema motor oral conforme forem sendo introduzidos os novos alimentos, sabores e texturas até chegar à função mastigatória, que também evoluirá da mesma forma.

Se todas essas etapas forem cumpridas haverá menor probabilidade de problemas na articulação da fala, principalmente as trocas de “R” por “L” (barata-balata), as omissões dos grupos consonantais (prato-pato ou plato e blusa-busa), e as distorções do “S” “Z”, vulgarmente chamadas de língua presa.

As crianças que chegam ao consultório com quatro ou cinco anos, ainda chupando chupeta ou mamadeira e têm esse padrão de fala infantilizada, normalmente ainda preservam os movimentos primários de língua que deveriam desaparecer naturalmente por volta dos 12 meses dando lugar a movimentação de língua necessária à mastigação e à fala.

A chupeta, na verdade é uma invenção do homem “moderno” e só deveria ser usada em casos extremos e com os seguintes critérios:

  •  Não oferecer antes de um mês de idade.
  • Limitar o uso para o mínimo possível e não deixar à disposição da criança, nem amarrada na roupa.
  •  Antes de ser usada deve ser esterilizada.
  • Escolher as de silicone e ortodônticas.
  • Trocar a cada mês, pois têm validade. Não comprar coleções de chupetas, ter uma ou duas em casa somente.
  • Tirar a chupeta da boca do bebê depois que ele adormecer.

Pensar que as consequências do uso prolongado e indiscriminado custam caro tanto financeiramente (ortodontista, pediatra, otorrino, fonoaudióloga, psicóloga) quanto emocionalmente (tristeza, frustração).

Enfim, a Associação Brasileira de Ortodontia e o Ministério da Saúde recomendam que se retire a chupeta até dois anos e meio a três, no máximo, e sua retirada deve acontecer num momento tranquilo da vida da criança não coincidindo com a chegada de um irmão ou início da vida escolar.

Sabendo agora um pouquinho sobre a utilização da chupeta, pense bem antes de oferecê-la ao seu bebê!


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Selma Maria Domingues El Hage
Fonoaudióloga – Crfa 2 - 4019 - Especialista em Motricidade Orofacial - Aprimoramento em Neurociências e Aprendizagem - Aprimoramento em Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem - Instrutora do Conceito de Reabilitação Corporal e Orofacial Castillo Morales

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