Quando encaminhar uma criança para o fonoaudiólogo?

Quando encaminhar uma criança para o fonoaudiólogo?

A Fonoaudiologia foi reconhecida como profissão na Hungria em 1900. No Brasil, o primeiro curso foi aberto em 1961 na USP. Porém até os dias atuais há dúvidas sobre quando encaminhar um paciente para a avaliação fonoaudiológica. Para esclarecer essa questão é preciso primeiramente compreender quem é o fonoaudiólogo e onde ele atua:

O fonoaudiólogo é o profissional da saúde responsável pela promoção da saúde, prevenção, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas miofuncional, orofacial, cervical e de deglutição. Exerce também atividades de ensino, pesquisa e administrativas. (Conselho Regional de Fonoaudiologia -2ª Região-SP)

O fonoaudiólogo pode atuar em unidades básicas de saúde, ambulatórios de especialidades, hospitais e maternidades, consultórios, clínicas, home care, domicílio, asilos e casas de saúde, creches e berçários, escolas regulares e especiais, instituições de ensino superior, empresas, veículos de comunicação, rádio, TV, teatro e associações.

Atualmente temos todas essas especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia com 5.742 especialistas habilitados espalhados por todo o Brasil: Audiologia, Disfagia, Gerontologia, Fonoaudiologia Educacional, Fonoaudiologia Neurofuncional, Fonoaudiologia do Trabalho, Neuropsicologia, Linguagem, Motricidade Orofacial, Saúde Coletiva e Voz.

Então, deve-se encaminhar uma criança para avaliação fonoaudiológica sempre que houver qualquer dúvida sobre o desenvolvimento da linguagem oral ou escrita, suspeita de dificuldades auditivas, problemas de voz, dificuldades nas funções orais, qualquer tipo de disfluência, entre outras.

Considerações importantes:

  • Na presença de deficiência auditiva, motora e mental que trazem alterações no desempenho global e comunicativo, a avaliação e o tratamento precoce são fundamentais.
  • Os pais devem observar nos seus bebês, se são muito quietos e não se assustam com barulho, se apresentam atrasos no desenvolvimento global e se tem dificuldades motoras, pois são crianças de risco.
  • Após os dois anos devem observar se as crianças estão demorando a falar, se falam com trocas, se não compreendem os comandos do dia a dia, se apresentam alterações na fluência da fala, alterações na voz, lembrando sempre que a linguagem oral bem desenvolvida é fundamental para a aquisição da leitura e escrita.
  • Na voz, observar se há rouquidão constante, se a criança tem hábito de falar alto, de gritar e se o ambiente é muito ruidoso.
  • Na aprendizagem escolar os sinais são dificuldades motoras da escrita, trocas de letras, omissões, dificuldades na leitura e na elaboração de textos, dificuldades na aquisição da leitura e escrita. Nessa fase, além dos pais, os professores têm uma responsabilidade muito grande na percepção e encaminhamento das crianças.
  • Dentro da motricidade orofacial há indicação para respiradores orais, pessoas com alterações dentárias, mastigação ineficiente, deglutição alterada, dificuldades na alimentação.
  • Deve-se encaminhar uma criança para avaliação fonoaudiológica sempre que houver qualquer dúvida sobre o desenvolvimento da linguagem oral ou escrita, suspeita de dificuldades auditivas, problemas de voz, dificuldades nas funções orais, qualquer tipo de disfluência, entre outras.

O fonoaudiólogo é o profissional capacitado para dizer se o que está acontecendo com a criança faz parte do desenvolvimento normal ou não, se ela necessita apenas de orientações pontuais ou de intervenção terapêutica imediata.

Portanto não é aconselhável esperar quando há suspeitas de que o desenvolvimento e o aprendizado não vão bem. Esperar pode significar um agravamento do quadro, além de interferir na autoestima da criança. Quanto mais cedo for a intervenção maior será a probabilidade de superação ou atenuação do problema.


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Selma Maria Domingues El Hage
Fonoaudióloga – Crfa 2 - 4019 - Especialista em Motricidade Orofacial - Aprimoramento em Neurociências e Aprendizagem - Aprimoramento em Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem - Instrutora do Conceito de Reabilitação Corporal e Orofacial Castillo Morales

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