Reims: a terra dos reis

Reims: a terra dos reis

Entre as mais interessantes regiões da França podemos destacar a de Champagne-Ardenne, que concentra as cidades produtoras de uma das mais desejadas e elegantes bebidas: o Champagne.

A 140 quilômetros de Paris, percurso que pode ser feito em 45 minutos de trem, chegamos a Reims, cidade como poucas no mundo a desfrutar do status de coroar praticamente todos os reis da França.



 

Apesar de ter quase 200 mil habitantes, Reims tem jeito de cidade pequena, e a maioria das suas atrações podem ser visitadas a pé.

Entre a Place Drouet d'Erlon e a Rue de Vesle você vai encontrar muitas lojas, bares e restaurantes charmosos, o que o torna um local perfeito para se hospedar.



 

Também ali perto estão a Prefeitura - que apesar de não ser um ponto turístico chama a atenção por sua bela arquitetura-, a Catedral de Notre Dame de Reims, onde eram coroados os reis, e o Palais du Tau, construído em 1690, todo em pedras, que servia como residência para os bispos da cidade.

Entre suas relíquias estão um cálice do século 12, utilizado para comunhão dos reis da França, e um crucifixo usado por Carlos Magno.

Para os fãs, uma visita muito interessante é a Cave Pommery, um dos mais tradicionais e importantes fabricantes franceses. As visitas são feitas com hora marcada e duram cerca de 60 minutos.

Também em Reims está a Veuve Clicquot, a quem é creditado o processo de industrialização da produção do champagne, e a terceira marca mais valiosa do mundo. Mas se você não quer se aprofundar no assunto, basta sentar em qualquer restaurante e pedir uma taça para desfrutar do precioso líquido, ou adquirir algumas garrafas nas muitas lojas de rua que oferecem do mais simples ao mais sofisticado champagne.


O charme e a tradição da Cave Pommery


A arte do champagne é extremamente complexa: suas qualidades sensoriais, sua imagem e seu desejo estão centrados em valores que exigem perícia, disciplina e, acima de tudo, paixão. Mas produzir excelente vinho não é tão simples assim, porque a qualidade por si só não é suficiente. Um produtor de champanhe também deve cultivar a sua marca.

 


O século 19 foi a idade de Madame Pommery e sua visão extraordinária.

“...Então eu decidi cuidar dos negócios no lugar do meu marido...” Com essas palavras a jovem viúva partiu em 1858 para conquistar os mercados nacional e internacional, derrubando sem qualquer escrúpulo uma ou duas regras de gestão empresarial. Ela foi pioneira em estabelecer as bases para qualquer promoção de um produto de luxo: estilo, marca, comunicação e relações públicas. Ela inventou a imagem da Pommery.

 

Também estabeleceu o primeiro "fundo de pensão" e uma "segurança social" para o seus funcionários.  Apoiou os artistas e, principalmente, aqueles de sua cidade. Legou ao museu em Reims sua coleção de 600 peças de barro. E acreditando que "tudo o que pode ser conseguido através do trabalho é sagrado", ela cria algo novo para a época, a filantropia corporativa.

Em 2002, a Pommery foi incorporada ao grupo Vranken, tornando-se Vranken Pommery Monopole, e suas instalações no centro de Reims tornam a visita mais que uma experiência interessante e degustativa, mas uma viagem ao tempo e à história.



 

A chegada impressiona: dos altos portões com letras douradas já se tem uma ideia do que aguarda o visitante. Os jardins e as construções do século 19 são uma bela visão. O ingresso custa 10 euros e dá direito a degustação no final da visita. Enquanto aguardamos nosso horário, pudemos visitar as obras de arte contemporânea expostas no grande saguão rústico.



Iniciada a visita com a guia (somente em inglês ou francês), uma escadaria com 116 degraus dá acesso a 30 metros de profundidade em uma catedral subterrânea: as caves Pommery construídas em poços de giz antigos escavados pelo galo-romanos há 2.000 anos. Cada galeria em cavernas é chamada por Madame Pommery com o nome das cidades em homenagem aos seus clientes em todo o mundo. A temperatura nas cavernas é de cerca de 10 graus, e a visita não é recomendada a pessoas alérgicas, pelo excesso de poeira e umidade.



 

As adegas agora abrigam 20 milhões de garrafas, incluindo safras mais antigas da casa, vintages extremamente raros. Os visitantes são guiados através da história da Pommery, a filosofia de desenvolvimento de vinhos de Champagne, e no final, podem degustar até dois sabores da marca.

E a despedida, é claro, passa por uma boutique, da qual é impossível sair sem um souvenir. Reims vale o passeio, e o charme de Pommery, com certeza, vale a visita.


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Escrito por: Vâny Pavanelli

Vâny Pavanelli
Publicitária - Colunista Social

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